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A partir do 5 de Agosto poderemos disfrutar do novo álbum da finlandesa Tarja Turunen, no quarto cd de rock de sua carreira solo.

Quando falamos de uma artista de sua categoria, sempre há uma certa pressão, tanto do público como da crítica, onde as expectativas são muito altas e crescem com cada disco. Sem dúvidas, The Shadow Self não estará alheio a esta realidade.

Onze músicas compõem o álbum, mais uma track escondida, o easter egg denominado hit song.

INNOCENCE

A primeira música é Innocence, o único single lançado até agora que conta um profundo videoclipe que faz referência á violência doméstica de gênero e transmite uma grande mensagem. Como Tarja havia antecipado, esta canção tem como base uma obra clássica de Chopin, com um piano que dá a impressão de ter sido gravado em um lugar de muito boa acústica. Tarja faz uso de sua voz de maneira fantástica, com um refrão que ficará na sua cabeça por horas e uma orquestração cuidadosa com vários violinos.

O interlúdio é o que mais se destaca, com um piano histérico e vários instrumentos que adicionam emoção e a tornam épica. Os coros também se destacam. Uma verdadeira obra de arte.

DEMONS IN YOU

Seguimos com Demons in You, com a participação especial de Alissa White-Gluz (Arch Enemy, ex-the agonist), que trabalho tanto com sua voz limpa como o gutural. A canção começa com uma parte no baixo, meio funk, reminiscente do Red Hot Chilli Peppers. A intro dá lugar a uma música bem pesada com riffs de guitarra grudentos. Nos primeiros versos, Tarja usa sua voz de peito enquanto Alissa faz seus guturais no fim de casa frase. O primeiro refrão é de Tarja, no segundo podemos ver claramente a aparição dos vocais limpos de Alissa, brilhando em sua glória.

Não é uma música que lembre nada do que Tarja já tenha feito; Talvez a união das vozes choque algumas pessoas, especialmente os guturais de Alissa; De qualquer modo, a participação está aqui e se destaca, garantimos que ninguém vai se decepcionar. Uma poderosa e surpreendente colaboração, de fato.

LOVE TO HATE

O que dizer desta? Bom, a equipe inteira concordou que é uma das melhores músicas do álbum. Gostamos tanto que nos pareceu curta em duração. Ela apresenta muitas mudanças na atmosfera e sons diferentes; Tem um pouco de tudo: principalmente o piano, muitas guitarras, bateria forte, coro e violinos. É sombria e pesada. Nós realmente amamos.

SUPREMACY

Poderíamos afirmar que este é o melhor cover que Tarja já fez? Provavelmente. É uma canção que bem poderia ser parte da trilha sonora de algum filme do James Bond, e já é popular o gosto de Tarja pela franquia.

Se trata de uma versão instrumentalmente mais pesada e escura, mas não por isso menos deslumbrante. A parte vocal é alucinante: Tarja utiliza todo seu alcance vocal, desde os graves até os agudos. As notas que alcança na música podem ser comparadas com a do fantasma da opera.

Uma adaptação que faz justiça à original, e tem tido boa repercussão, até entre os fãs de Muse.

THE LIVING END

Entre todas essas músicas de rock e heavy vem uma balada para acalmar as águas. A mais quieta de todo o álbum, The Living End, um tema que de inicio nos deu sensação de estar em frente a uma música de New Age... Mas depois incorporou gaitas de fole, transformando a música em algo meio folk. Totalmente inesperado quando falamos do estilo de Turunen. A vida te surpreende.

DIVA

Diva é outra música onde Tarja decidiu brincar um pouco mais com as composições. É um convite à imaginação. A sensação imediata é de ser levado a um palco de temática circense que vai evoluindo à medida que passam os minutos, e inclui tanto vozes em off e vocais com RRR's bem marcadas, como nas de Victim of Ritual. Já quase podemos imaginar como esta música vai brilhar nos palcos, onde podemos esperar, quem sabe, uma performance mais teatral.

EAGLE EYE

É uma nova versão do tema composto por Tarja e Pauli Rantasalmi. A música foi lançada em Junho como parte do TBV, em uma versão que inclui Chad Smith (do RHCP) na bateria, Alex Scholpp nas guitarras e Kevin Chown no baixo, enquanto Toni Turunen, irmão de Tarja, traz os vocais masculinos, fazendo esta música bonita e emocional.

No novo lançamento há uma versão mais pesada, com uma troca de músicos (também bons): Mike Terrana na bateria e Julián Barrett nas guitarras. Essa nova versão, pesada e poderosa, é a que Tarja está tocando nos festivais agora; Ainda que nós tenhamos preferido a primeira versão, entendemos a necessidade de uma musica mais poderosa para os shows.

UNDERTAKER

Um dos pontos altos do álbum. Certamente no top 3 de músicas. É uma música que deixa muitas impressões diferentes, e ainda que seja uma música que fala principalmente sobre a morte, musicalmente nos deu a sensação de estar imersos em um mundo cheio de intriga e histórias de perseguição. Boa demais para ser verdade.

CALLING FROM THE WILD

Começa com a guitarra acompanhando a doce voz de Tarja, e lentamente elas parecem penetrar em sua pele. Um repetitivo "oh, oh, oh, oh, oh" entra em cena e agrega tempero. A melodia é bem grudenta. Uma música que certamente será incluída nos setlists de agora em diante já que encoraja pular e cantar. Não há duvidas que depois de ouvi-la ficará com o "one more" na cabeça por horas.

TOO MANY

Too Many é a faixa mais longa deste álbum. A melodia te convida e te transporta para lugares remotos, com uma base constante e minimalista, e sons sinfônicos e eletrônicos. É uma mistura estranha de referências do Radiohead ao The Gathering.

A voz de Tarja ressona na simplicidade da música, transmitindo a positividade explicita na mensagem da música e na letra, convidando a superar os medos. Ao fim da música já algo que ficará soando em sua cabeça, pois, enquanto a repetição ganha força, é inevitável aprender a letra; Nos apaixonamos por esta musica.

Depois de alguns minutos de silencio, a bateria surge do nada e nos surpreende. Depois você ouvirá "aaaaah, este é o Hit Song, o Hit Song!!" e a música se torna louca, até que a raiva e a loucura dão lugar à algo eletrônico: ah meu deus!!

Sim, tudo se torna em algo parecido com trance music, algo totalmente inesperado. Depois, Tarja diz "forever, forever" e aparece o som de uma motocicleta e uma risada de bruxa que nos leva de volta à loucura do começo. De repente, tudo termina. Inacreditável, muito boa.

Em suma, este é um álbum bem obscuro. Quem vier para o heavy metal não encontrará nada, mas há bastante heavy rock, temperado com vários sons que quase o transformam em um gênero alternativo. Não parece em nada com seus últimos álbuns, mas prometemos que você irá ama-lo.