MH – Fico feliz em ter a chance de falar com você e minha primeira pergunta é sobre a banda. Estou curioso para saber como você montou sua banda depois que deixou o Nightwish. Você gravou um álbum e escolheu alguns caras não? Como aconteceu?
Tarja – Bem foi muito interessante porque eu basicamente escolhi cada um deles. Conhecia o Mike Terrana já fazia um tempo. Eu também conhecia Doug Wimbish, do baixo. E eu tinha pessoas, você sabe, na organização para entrar em contato com esses músicos. Por exemplo, Alex, toca guitarra, eu não conhecia seu trabalho antes mas nos apresentaram e eu adorei o que ele tinha feito antes e realmente foi muito, muito fluente e ate fácil o processo de escolha das pessoas para trabalhar. Assim também para eles porque a conexão entre o Mike, Doug e o Alex já era tão forte no estúdio que eu disse "Porque não vamos trabalhar juntos na turnê?". Gostamos um dos outros... Agora Kiko Loureiro foi para a guitarra e eu não o via há muito tempo. Músicos, temos nossas conexões de um jeito, por mais estranho que pareça, mas não é tão difícil porque eu realmente acredito que gostamos de trabalhar juntos e vem sendo bem fácil.

MH - Existe alguém que controla as coisas na banda?
Tarja - Sim, eu.

MH - Você é o chefe?
Tarja - Sim eu sou o chefe. Claro que eu tenho pessoas me ajudando, eu preciso disso. Não seria capaz de organizar tudo e tenho meu marido o que é absolutamente importante pra mim como eu também tenho os touring managers, você sabe, organização. Então não estou sozinha, o que é bom porque posso me concentrar na música que é o mais importante.

MH - Falando do seu marido, ele é um homem de negócios, isso ajuda na sua carreira artística, ter um homem de negócios por perto?
Tarja - Definitivamente, porque ele também é talentoso artisticamente. Estamos escrevendo canções juntos, estamos escrevendo letras juntos, ele também é produtor e vem produzindo muitas bandas de heavy metal. Então ele entende a música muito bem. Não se deve considerá-lo só como um monstro dos negócios. Ele é muito profissional nos negócios assim como é na música.

MH - Sei que você toca rock e também musica clássica e o público é muito diferente entre esses dois gêneros. Qual público você mais gosta considerando que o dos concertos clássicos são mais calmos, não reagem do mesmo jeito que o público de uma banda de rock.
Tarja - O que é maravilhoso e vem sendo maravilhoso na minha carreira, é que eu vi muitos fãs de música clássica irem a shows de rock e aprenderam a amar isso. Falei com muitos deles e eles aprenderam a gostar mais de bandas de heavy metal através da minha voz e também o pessoal do heavy metal indo a igrejas, escutando músicas mais calmas. É sobre isso que estou falando: é só a música. Não é que eu queira classificar a música em si: isso é heavy e isso é pop, todos são diferentes. Não, somos todos iguais. Amamos as mesmas coisas ou as odiamos. É tudo sobre a emoção da música. Então eu realmente não posso falar pra você se eu amo mais o público heavy do que o clássico. Nunca posso dizer algo parecido porque no momento que estou no palco, as pessoas estão lá por mim e sempre é magnífico. Só a situação é diferente quando tocamos músicas clássicas calmas ou as mais pesadas. A vibe, a situação são diferentes mas as pessoas não.

MH – Você vai tocar hoje a noite músicas do Nightwish e obviamente há muitas músicas populares que as pessoas reconhecem. Como você se sente quando vê a reação das pessoas com essas músicas comparadas as suas próprias?
Tarja – É óbvio que eu sempre serei lembrada como a ex-vocalista do Nightwish e eu tenho muito orgulho do meu trabalho com o Nightwish. Foi uma longa carreira e eu continuo tocando a música porque ela é linda e isso nunca vai mudar. As coisas têm mudado agora porque eu tenho uma ótima banda me dando suporte, todos são muito profissionais e eles se divertem tocando comigo e essa é a diferença que vocês verão no meu show: muita confiança, muita alegria e muito bom humor.

MH – É um pouco estranho pra mim porque a música do norte, o rock do norte não é sempre alegre. Muitos dizem que é obscuro.
Tarja – Sim é bem melancólico. Eu sou uma pessoa muito melancólica, eu escrevo músicas tristes com mais facilidade do que músicas alegres. Porém como cantora eu tenho que estar feliz para cantar bem, não importa se eu escrevo canções sombrias e tristes eu tenho que ter alegria dentro da minha alma e da minha mente. Caso contrário é muito difícil cantar e comover pessoas. É muito importante pra mim sentir que estas pessoas tem uma ligação comigo, é uma coisa preciosa que eu espero que nunca mude.

MH – Sei que você esta trabalhando em seu novo álbum e será lançado este ano?
Tarja – No próximo ano.

MH – Próximo ano? Ok.  Pode nos dar detalhes sobre o álbum?
Tarja - Vai se chamar What Lies Beneath e será a continuação do método que eu utilizei no meu primeiro álbum, My Winter Storm. É um álbum muito experimental assim como foi ou é o My Winter Storm. Mas alguns elementos serão mais trabalhados, por exemplo as guitarras em algumas canções. É um álbum mais maduro e muito mais pessoal que primeiro.